2/10/10
Filme inesquecível.
Recentemente adquiri pela internet três filmes estrelados pelo ator Tony Curtis, falecido na última quinta-feira, 30 de setembro, aos 85 anos. Os filmes: “Houdini, o Homem Miraculoso”, que conta a história do famoso mágico ; “Acorrentados”, filme de ação cujo enredo é a fuga de dois presidiários, um branco e o outro negro, interpretado também pelo ainda bem jovem ator Sidney Poitier. Os dois fogem algemados e o filme é uma metáfora do momento complicado que os americanos viviam no final da década de 1950, quando os negros eram violentamente discriminados. Grande filme. O terceiro filme “Trapézio” é um dos primeiros na minha memória de cinéfilo, faz parte de todas as minhas listas de melhores filmes de todos os tempos. Reafirmo o que disse antes aqui mesmo: em matéria de cinema fujo da opinião dos críticos. Ás vezes até coincide de eu gostar de um filme elogiado por eles, o que não é muito comum. Detesto os chamados filmes-cabeça e vou ao cinema apenas para me divertir: nada de Bergman, nem de Kurosawa, nem de Woody Allen, nem Glauber Rocha. O que aprecio mesmo são os filmes arrasa-quarteirão.
Trapézio, filme de 1956, foi um campeão de bilheteria, dirigido pelo inglês Carol Reed, tem como astros principais Burt Lancaster, Tony Curtis e a italiana Gina Lolobrígida, no esplendor de seus 25 anos, então considerada a mais bonita e gostosa mulher do planeta. Como coadjuvante, a mexicana Katy Jurado, que está na minha lista de melhores atrizes do cinema.
Burt Lancaster interpreta o trapezista veterano, criador do perigoso salto mortal triplo. Ele tem a perna quebrada após uma queda, quando seu aparador não conseguiu segurá-lo. Então desiste do salto e torna-se também aparador. Tony Curtis é o jovem trapezista americano que vai a Paris atrás do mestre, querendo aprender o salto mortal. Gina Lolobrígida é a jovem italiana em busca da fama a qualquer preço, que se mete entre os dois, formando um triângulo amoroso.
Cinquenta e quatro anos depois de lançado o filme ainda merece ser visto. Mostra toda a grandeza e esplendor dos grandes circos, o estilo de vida de seus artistas e dos trabalhadores, os bastidores do espetáculo, a concorrência entre os gigantes do setor, sempre buscando tirar as melhores atrações uns dos outros.
Vi o filme em 1957, quando fui a um cinema sozinho pela primeira vez. Era um cinemão chamado Eldorado, que ficava na rua Platina, no bairro Calafate, em BH. Pegava-se o lotação na avenida Amazonas, na Cidade Industrial e o busão parava na porta do cinema. A molecada da minha vizinhança não perdia as matinés domingueiras do Eldorado, que era o típico cinema de bairro e de rua. Era muito grande, talvez umas mil poltronas e o ingresso custava menos do que os dos cinemas do centro da cidade. E passava todos os filmes do circuito. Naquelas cadeiras duras do Eldorado foi que eu aprendi a gostar de cinema. Depois, no auge do video-cassete, anos 1980/90 revi Trapézio, e agora comprei uma cópia em DVD.
Com a morte de Tony Curtis, dos quatro astros principais de Trapézio agora resta apenas Gina Lolobrígida,. É a vida.
Interpretado por Tony Curtis tenho também uma cópia em DVD da comédia “Quanto mais quente melhor”, considerada por boa parte da crítica como a melhor comédia de todos os tempos. No que eu também concordo. Tony Curtis contracena com Marilyn Monroe e Jack Lemmon, eles, travestidos de mulheres integrantes de uma banda de jazz. Impagável.
criado por luizvianadavid
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