3/10/10
A primeira vez a gente nunca esquece.
Parece que foi no ano passado, mas quarenta luas são passadas desde que votei pela primeira vez. Era 1970, e naquele ano seriam eleitos senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores. O general-ditador de plantão era o temido Emilio Garrastazú Médici e continuaria té 1974. Israel Pinheiro (PSD)concluia seu mandato de governador e daí a poucos meses seria substituido por Rondon Pacheco (UDN).
Em Pará de Minas o caldeirão fervia. Apesar de extintos em 1966, os velhos partidos sobreviviam dentro de ARENA e MDB, com a instituição das sub-legendas que permitiam que cada agremiação lançasse mais de um candidato ao cargo majoritário em disputa. Como a eleição seria para um mandato-tampão de apenas dois anos, as raposas mais felpudas do PSD e UDN, abrigadas na ARENA, não quiseram se expor e abriram mão da disputa em favor de candidatos que não lhes fizessem sombra daí a dois anos.
Era prefeito em 1970 José Porfirio de Oliveira, que já sonhava com a volta daí a dois anos. Por isto, seu grupo (PSD) tratou logo de desimpedir o caminho, indicando para concorrer em 1970, o popular comerciante de secos e molhados José Gentil de Almeida. Se José Gentil fosse eleito, ótimo. Se perdesse, estaria queimado para a eleição de 1972, deixndo o caminho livre para a volta de José Porfirio. No pacote, incluiram José Moreira “Zezinho” Xavier de vice, pois Zezinho nunca desistira de um dia ser prefeito do Pará de Minas.
No lado udenista da ARENA o grande chefe era o industrial Alano Melgaço, que também não não se interessou pelo mandato-tampão. Era melhor esperar mais dois anos e levar logo um mandato inteiro. Para substituir Alano, a UDN lançou o serventuário da justiça, Sebastião Nogueira Duarte, o Nego Meirinho. A terceira sub-legenda não foi utilizada pela ARENA, pois o candidato natural, Walter Martins Ferreira, ex-prefeito (1963/67), também não se interessou pelo mandato curto e preferiu disputar a vereança naquele ano.
Pelo lado do MDB a coisa estava feia depois da surra de 1966, quando seu candidato Vicente Leite de Freitas foi esmagado nas urnas por José Porfirio. Mas o partido estava começando a escrever sua bonita história de resistencia e não deixaria de ter um candidato. Deste modo, foi escolhido o jovem advogado Anastácio Pinto para levantar a bandeira da oposição em Pará de Minas, tendo como companheiro de chapa o comerciante Osmar “Doca” Melgaço. Ao MDB não importava o tamanho do mandato em disputa, importante era marcar posição, mostrar ao restante do Brasil que aqui a ditadura não era unanimidade, que o sonho de liberdade estava mais vivo do que nunca.
Abertas as urnas, confirmou-se a vitória de José Gentil, da ARENA pessedista. Logo atrás veio o udenista Nego Meirinho e colado nele o candidato das oposições, Anastácio Pinto. Estava demarcado o terreno para as futuras eleições municipais.
Nos planos estadual e nacional infelizmente o MDB levou uma surra tão grande que até mesmo foi cogitada a extinção do partido. A oposição não suportou o peso da máquina publicitária da ditadura, nem a força da caneta do ditador, que cassava a seu bel prazer mandatos de parlamentares oposicionistas. E o povo, anestesiado com a conquista do tricampeonato mundial de futebol no México, não percebia o que estava acontecendo no país.
Meu primeiro voto foi assim:
Senador: Camilo Nogueira da Gama
Deputado Federal: Tancredo Neves
Deputado Estadual: Jorge Ferraz
Prefeito: Dr. Anastácio
Vereador: Ary Coutinho Júnior (único da ARENA a ganhar meu voto)
Apesar de tudo, o MDB conseguiu eleger seu primeiro vereador na cidade, Vicente de Sousa Sobrinho, o Rato.
criado por luizvianadavid
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