3/10/10

A primeira vez a gente nunca esquece.

Parece que foi no ano passado, mas quarenta luas são passadas desde que votei pela primeira vez.  Era 1970, e naquele ano seriam eleitos  senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores. O general-ditador de plantão era o temido Emilio Garrastazú Médici e continuaria té 1974. Israel Pinheiro (PSD)concluia seu mandato de governador e daí a poucos meses seria substituido por Rondon Pacheco (UDN).

Em Pará de Minas o caldeirão fervia. Apesar de extintos em 1966, os velhos partidos sobreviviam dentro de ARENA e MDB, com a instituição das sub-legendas que permitiam que cada agremiação lançasse mais de um candidato ao cargo majoritário em disputa. Como a eleição seria para um mandato-tampão de apenas dois anos, as raposas mais felpudas do PSD  e UDN, abrigadas na ARENA,  não quiseram se expor e abriram mão da disputa em favor de candidatos que não lhes fizessem sombra daí a dois anos.

Era prefeito em 1970 José Porfirio de Oliveira, que já sonhava com a volta daí a dois anos. Por isto, seu grupo (PSD) tratou logo de desimpedir o caminho, indicando para concorrer em 1970, o popular comerciante de secos e molhados José Gentil de Almeida. Se José Gentil fosse eleito, ótimo. Se perdesse, estaria queimado para a eleição de 1972, deixndo o caminho livre para a volta de José Porfirio.  No pacote, incluiram José Moreira “Zezinho”  Xavier de vice, pois Zezinho nunca desistira de um dia ser prefeito do Pará de Minas.

No lado udenista da ARENA o grande chefe era o industrial Alano Melgaço, que também não não se interessou pelo mandato-tampão. Era melhor esperar mais dois anos e levar logo um mandato inteiro. Para  substituir Alano, a UDN lançou o serventuário da justiça, Sebastião Nogueira Duarte, o Nego Meirinho. A terceira sub-legenda não foi utilizada pela ARENA, pois o candidato natural, Walter Martins Ferreira, ex-prefeito (1963/67), também não se interessou pelo mandato curto e preferiu disputar a vereança naquele ano.

Pelo lado do MDB a coisa estava feia depois da surra de 1966, quando seu candidato Vicente Leite de Freitas foi esmagado nas urnas por José Porfirio. Mas o partido estava começando a escrever sua bonita história de resistencia e não deixaria de ter um candidato. Deste modo, foi escolhido o jovem advogado Anastácio Pinto para levantar a bandeira da oposição em Pará de Minas, tendo como companheiro de chapa o comerciante Osmar “Doca” Melgaço. Ao MDB não importava o tamanho do mandato em disputa, importante era marcar posição, mostrar ao restante do Brasil que aqui a ditadura não era unanimidade, que o sonho de liberdade estava mais vivo do que nunca.

Abertas as urnas, confirmou-se a vitória de José Gentil, da ARENA pessedista. Logo atrás veio o udenista Nego Meirinho e colado nele o candidato das oposições, Anastácio Pinto.  Estava demarcado o terreno para as futuras eleições municipais.

Nos planos estadual e nacional infelizmente o MDB levou uma surra tão grande que até mesmo foi cogitada a extinção do partido. A oposição não suportou o peso da máquina publicitária da ditadura, nem a força da caneta do ditador, que cassava a seu bel prazer mandatos de parlamentares oposicionistas. E o povo, anestesiado com a conquista do tricampeonato mundial de futebol no México, não percebia o que estava acontecendo no país.

Meu primeiro voto foi assim:

Senador: Camilo Nogueira da Gama

Deputado Federal: Tancredo Neves

Deputado Estadual: Jorge Ferraz

Prefeito: Dr. Anastácio

Vereador: Ary Coutinho Júnior (único da ARENA a ganhar meu voto)

Apesar de tudo, o MDB conseguiu eleger seu primeiro vereador na cidade, Vicente de Sousa Sobrinho, o Rato.

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2/10/10

Transcrito da Carta Capital

Menos marketing, mais política. É o que a democracia brasileira precisa

O processo eleitoral chega ao seu final e expõe sua ruína. Por Sergio Lirio. Ilustração: Cárcamo

No domingo 3 os brasileiros irão às urnas escolher o presidente da República pela sexta vez desde o fim da ditadura. São 21 anos de exercício formal da democracia, tempo que se iguala ao triste período que os militares se mantiveram no poder a mando da elite civil. Deveríamos ter amadurecido mais – e talvez o eleitorado esteja hoje mais preparado que os que pedem seu voto. O debate na tevê Globo de ontem à noite expôs a ruína do processo que chamamos de eleitoral. Está tudo errado, a começar pelas leis que, a pretexto de preservar a democracia, a corroem.

Por conta dessas regras rígidas, a campanha de fato, pública, dura pouco mais de um mês. É o tempo do horário eleitoral gratuito. Antes disso, reina a hipocrisia, com os candidatíssimos obrigados a fingir que não o são. E proibidos de se apresentar ao eleitorado de forma adulta, sem subterfúgios ou efeitos especiais. E o que se pode fazer em frente às câmeras para convencer o eleitor? Não muito, se a intenção for realmente apresentar um projeto. É o paraíso dos marqueteiros, profissionais que ganharam peso desproporcional na política brasileira em consequência dos entraves e distorções do sistema. Se José Serra fez uma campanha errática, Dilma Rousseff foi anódina e Marina Silva uma espécie de fada da floresta, credite-se à genialidade dos marqueteiros e sua “ciência”, suas certezas. Os candidatos são entregues ao gosto do freguês, customizados para cada platéia. O que se diz agora pode e será desmentido amanhã, a depender do alvo da mensagem. Quanto menos ideias melhor, para não ferir suscetibilidades. Mas quem pode garantir que uma vitória só pode ser construída dessa forma?

As tevês que organizam debates costumam celebrar sua contribuição à “democracia” e repetir que aqueles encontros fortuitos de pouco mais de duas horas são uma oportunidade de o eleitor “conhecer o candidato sem a roupagem do marketing”. Mais uma ilusão vendida ao telespectador. Os eventos tornaram-se uma extensão dos programas eleitores gratuitos, uma cacofonia na qual os postulantes a cargos públicos evitam o confronto de propostas e despejam números em cascata. Sejamos francos: é impossível debater no formato atual, com dois minutos para uma resposta, um minuto de réplica e outro de tréplica. Fora os torcedores de cada lado, é impossível ao cidadão não-militante definir com precisão vencedores e perdedores. No caso do debate da Globo de ontem, minha sensação foi a de que todos saíram derrotados. Mais uma vez, a conta deve ser creditada às equipes de comunicação das candidaturas. São eles que definem, com as emissoras, as regras.

É fato que os atuais postulantes à presidência contribuem em muito para a modorra. Não há um Brizola, um Covas, um Lula, nem mesmo um Maluf no páreo. Mesmo assim, até esses personagens encontrariam dificuldades para superar as amarras dos atuais debates. Como quase tudo na tevê brasileira, o formato dos debates parece saído da máquina de escrever do Chacrinha: estão aí para confundir.

As leis eleitorais continuam a tutelar de forma primária o eleitor brasileiro, como se fôssemos incapazes. A bem da democracia, é hora de flexibilizar várias regras. Sem prejuízo ao processo, as campanhas poderiam começar mais cedo, talvez em janeiro do ano em que as eleição será realizada. Quem está no governo teria o direito de se manifestar (nos Estados Unidos, George Bush deu entrevistas a favor de McCain na porta da Casa Branca). Caberia, como cabe atualmente, ao Ministério Público, à oposição e à mídia (de forma honesta) denunciar e coibir eventuais excessos no uso da máquina.

Rádios e tevês, concessões públicas, deveriam ter autonomia para realizar entrevistas, definir suas coberturas e promover debates. Igualmente caberia aos partidos, ao MP e à imprensa (de forma honesta) a vigilância contra abusos. Os debates, em especial, precisariam ser mais livres e estabelecer confrontos diretos entre os principais concorrentes. Poderiam ser em número muito maior, eventualmente realizados em pool entre os canais. Mais tempo de resposta, de réplica e de tréplica. Mais projetos, menos marketing.

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Filme inesquecível.

Recentemente adquiri pela internet três filmes estrelados pelo ator Tony Curtis, falecido na última quinta-feira, 30 de setembro, aos 85 anos. Os filmes: “Houdini, o Homem Miraculoso”, que conta a história do famoso mágico ; “Acorrentados”,  filme de ação cujo enredo é a fuga de dois presidiários, um branco e o outro negro, interpretado também pelo ainda bem jovem ator Sidney Poitier. Os dois fogem algemados  e o filme é uma metáfora do momento complicado que os americanos viviam no final da década de 1950, quando os negros eram violentamente discriminados. Grande filme. O terceiro filme “Trapézio” é um dos primeiros na minha memória de cinéfilo, faz parte de todas as minhas listas de melhores filmes de todos os tempos. Reafirmo o que disse antes aqui mesmo: em matéria de cinema fujo da opinião dos críticos. Ás vezes até coincide de eu gostar de um filme elogiado por eles, o que não é muito comum. Detesto os chamados filmes-cabeça e vou ao cinema apenas para me divertir: nada de Bergman, nem de Kurosawa, nem de Woody Allen, nem Glauber Rocha. O que aprecio mesmo são os filmes arrasa-quarteirão.

Trapézio, filme de 1956, foi um campeão de bilheteria,  dirigido pelo inglês Carol Reed, tem como astros principais Burt Lancaster, Tony Curtis e a italiana Gina Lolobrígida, no esplendor de seus 25 anos, então considerada a mais bonita e gostosa mulher do planeta. Como coadjuvante, a mexicana Katy Jurado, que  está na minha lista de melhores atrizes do cinema.

Burt Lancaster interpreta o trapezista veterano, criador do perigoso salto mortal triplo. Ele tem a perna quebrada após uma queda, quando seu aparador não conseguiu segurá-lo. Então desiste do salto e  torna-se também aparador.  Tony Curtis é o jovem trapezista americano que vai a Paris atrás do mestre, querendo aprender o salto mortal. Gina Lolobrígida é a jovem italiana em busca da fama a qualquer preço, que se mete entre os dois, formando um triângulo amoroso.

Cinquenta e quatro anos depois de lançado o filme ainda merece ser visto. Mostra toda a grandeza e esplendor dos grandes circos, o estilo de vida de seus artistas e dos trabalhadores, os bastidores do espetáculo, a concorrência entre os gigantes do setor, sempre buscando tirar as melhores atrações uns dos outros.

Vi o filme em 1957, quando fui a um cinema sozinho pela primeira vez. Era um cinemão chamado Eldorado, que ficava na rua Platina, no bairro Calafate, em BH. Pegava-se o lotação na avenida Amazonas, na Cidade Industrial e o busão parava na porta do cinema. A molecada da minha vizinhança não perdia as matinés domingueiras do Eldorado, que  era o típico cinema de bairro e de rua. Era muito grande, talvez umas mil poltronas e o ingresso custava menos do que os dos cinemas do centro da cidade. E passava todos os filmes do circuito. Naquelas cadeiras duras do Eldorado foi que eu aprendi a gostar de cinema.  Depois, no auge do video-cassete, anos 1980/90 revi Trapézio, e agora comprei uma cópia em DVD.

Com a morte de Tony Curtis, dos quatro astros principais de Trapézio agora resta apenas Gina Lolobrígida,. É a vida.

Interpretado por Tony Curtis tenho também uma cópia em DVD da comédia “Quanto mais quente melhor”, considerada por boa parte da crítica como a melhor comédia de todos os tempos. No que eu também concordo. Tony Curtis contracena com Marilyn Monroe e Jack Lemmon, eles, travestidos de mulheres integrantes de uma banda de jazz. Impagável.

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1/10/10

Paulo Henrique Amorim passa a limpo o debate de ontem na Globo. (Do blog Conversa Afiada)

Serra depois de trucidar a Dilma: as olheiras se encontraram com as gengivas

O debate da Globo seria “decisivo”.

Segundo o PiG (*) e seus colonistas (**), no debate da Globo o jenio ia trucidar a Dilma.

Foi o oposto.

Dilma desmoralizou a platéia tucana, quando riu por ela dizer que todas as doações da campanha estavam registradas.

Dilma fica melhor quando vai para o ataque.

Não tem nenhum Ricardo Sérgio nas finanças da campanha da Dilma.

Dilma explicou muito bem o papel das UPPs no combate à violência urbana.

Dilma explicou os planos de expansão das ferrovias.

E, mais importante, ela explicou por que vai fazer um Governo de coalizão com o PMDB.

Dilma falou como Presidenta.

O Serra não foi ao debate.

Quando conseguiu se articular, além da manifestação autônoma de seu dedo anular direito, o jenio não foi mais do que um “prático em contabilidade”, como diz o meu amigo mineiro.

O amigo navegante se perguntaria – se conseguiu ficar até o fim – o que a Bláblárina Silva fez ali, além de enunciar o óbvio: tudo é “muito grave” !

Como ela explicaria que um anúncio da Natura entrou no break comercial do debate ?

Esquisito, não, amigo  navegante ?

E o Serra ?

O que ele tem a oferecer ?

Por que ele quis ser Presidente, além de querer ser ?

Esse tipo de debate não vai a lugar nenhum.

Amanhã, este Conversa Afiada pretende comparar o debate presidencial no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo.

Candidato não sabe fazer pergunta.

Quem sabe fazer pergunta é jornalista.

Mas, no Brasil, os candidatos e os partidos precisaram se proteger dos jornalistas, invariavelmente partidários e, na maioria, tucanos.

Deu nisso.

Um debate inócuo.

Em 2002, o Serra também anunciou que ia esmagar o Lula no debate final da Globo.

De fato, conseguiu.

O Serra esmagou o Lula na eleição por 39% a 61%.

Foi o que aconteceu agora.

O Serra massacrou a Dilma.

E vai perder no primeiro turno.

O Serra, desde 2002, tem 30%.

Bye-bye Serra forever.

Em tempo: Serra criou o Bolsa Família, o genérico, o programa anti-Aids, a bússola, a energia a vapor, o telescópio e o avião. A Lei da Gravidade, porém, é concepção original do Fernando Henrique.

Em tempo 2: falta esperar o que o Ali Kamel vai fazer na edição do debate. E o que o Lula poderia fazer, se o Kamel manipulasse a edição.

Em tempo 3: ninguém perguntou ao Serra sobre o telefonema ao Gilmar. Não deixe de votar na trepidante enquete: o que acontece se você telefonar para o Gilmar.

Em tempo 4: aos 20 minutos desta sexta-feira, Serra era um caco. A máscara da derrota. As olheiras, finalmente, se encontraram com as gengivas. Um encontro triunfal.

Paulo Henrique Amorim

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

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criado por luizvianadavid    8:00 — Arquivado em: Sem categoria

30/9/10

Supremo Tribunal Federal acaba com Lei estapafúrdia que obrigava eleitor a levar dois documentos para votar. Volta a valer a situação anterior.

30/09/2010 16h40 - Atualizado em 30/09/2010 16h47

Por 8 a 2, STF derruba exigência de dois documentos para votar

Eleitor poderá votar apenas com documento de identificação oficial com foto.
Ministro Gilmar Mendes negou motivação política em pedido de vista.

Reprodução de matéria de Débora Santos Do G1, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou nesta quarta-feira (29), três dias antes da eleição, a exigência de que o eleitor apresente, no momento do voto, o título de eleitor e um documento com foto. Por 8 votos a 2, os ministros entenderam que o cidadão será obrigado a levar apenas um documento oficial que comprove sua identidade.

A determinação de apresentar dois documentos na hora de votar foi fixada pela minirreforma eleitoral, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. A norma foi questionada pelo PT em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF.

No julgamento, os ministros do Supremo não analisaram o mérito da constitucionalidade da norma; eles concederam medida cautelar para que a exigência passe a ser interpretada de acordo com a orientação do STF.

O julgamento começou nesta quarta-feira (29), mas foi suspenso por causa do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, quando o placar era de 7 a 0.

Antes de começar a votar na sessão desta quinta, Mendes citou reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, publicada nesta quinta, que diz que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teria ligado para o ministro antes do julgamento. Ele negou que seu pedido de vista tenha tido motivações político-partidárias.

“Quem me conhece sabe muito bem que jamais me deixei pautar por interesses político-partidários. Estive no TSE por longo período e inclusive fixei uma orientação para que houvesse um critério na aplicação do difícil direito eleitoral muito propenso aos ‘ismos’ de toda a índole inclusive aos casuísmos”, afirmou.

Em seu voto, o ministro negou o pedido de liminar do PT para flexibilizar a exigência e afirmou que uma novidade normativa, a essa altura, pode ser um fator de “desestabilização do processo eleitoral”. Segundo Mendes, haveria ainda “noção de oportunidade política” na ação proposta pelo PT.

Todos os índicios levam a um estado de forte dúvida. Pode ser que tenhamos uma lei que apresente inconvenientes, mas que não é inconstitucional. Podemos falar de inconveniência, podemos falar dos atrapalhos que essa exigência ocasiona, não podemos falar em inconstitucionalidade. Se entrássemos nessa seara, estaríamos fazendo mau uso do nosso poder. Não temos o poder de legislar”
Ministro Gilmar Mendes

O ministro disse ter dúvidas sobre a inconstitucionalidade da lei e citou ainda o gasto de R$ 3,2 milhões do TSE com a campanha publicitária para as eleições deste ano, inclusive com propaganda para informar os eleitores sobre a necessidade de apresentar título de eleitor e documento oficial com foto na hora de votar.

“Todos os índicios levam a um estado de forte dúvida. Pode ser que tenhamos uma lei que apresente inconvenientes, mas que não é inconstitucional. Podemos falar de inconveniência, podemos falar dos atrapalhos que essa exigência ocasiona, não podemos falar em inconstitucionalidade. Se entrássemos nessa seara, estaríamos fazendo mau uso do nosso poder. Não temos o poder de legislar”, disse Mendes.

Julgamento
Votaram contra a exigência os ministros Gilmar Mendes e Cezar Peluso. Na quarta-feira, antes do pedido de vista de Gilmar Mendes, já haviam votado pela derruba da exigência os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio e Ayres Britto, além da relatora do processo, Ellen Gracie.

Em seu voto, a relatora defendeu a exigência da apresentação de documento de identificação. “Estou convicta de que a norma jurídica contestada estabeleceu, na verdade, a obrigatoriedade de apresentação de um documento oficial de identificação com foto. A presença do título eleitoral, que é praxe, não é tão indispensável quanto a identificação por fotografia”, afirmou a ministra.

O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, acompanhou o voto da relatora e sugeriu ampliar a proposta para permitir que o eleitor pudesse votar apenas com o título, caso fosse corretamente identificado pelo mesário no momento da votação.

Contestação
Em sua contestação sobre a obrigatoriedade de apresentação de dois documentos para votar, o PT alegava que a dupla identificação seria uma redundância porque, uma vez cadastrado pela Justiça Eleitoral, o cidadão já é eleitor e só precisaria comprovar a própria identidade.

No julgamento, a defesa do PT ainda classificou a norma como um excesso. Segundo os advogados da legenda, o pedido foi feito tão perto da data das eleições por causa da decisão do TSE de ampliar o prazo para retirada da segunda via do documento, interpretada como um indicativo da dificuldade para reimprimir o documento.

Um dos objetivos da adoção da regra era promover maior segurança na identificação do eleitor e evitar episódios em que pessoas votam por outras, valendo-se do fato de o título de eleitor não conter foto.

Os documentos oficiais previstos na norma para comprovação de identidade, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são carteira de identidade ou documento de valor legal equivalente (identidades funcionais), certificado de reservista, carteira de trabalho e carteira nacional de habilitação, com foto. Certidões de nascimento e de casamento não são aceitas.

Outras possibilidades, como a apresentação de cópias autenticadas de documentos, serão resolvidas caso a caso pelo mesário ou pelo juiz eleitoral.

( Do blog: em 29 de agosto passado, escrevi artigo sobre este assunto, contestando a exigencia de dois documentos para votar . Como se vê, eu e meus leitores estávamos com a razão.  Apesar da bola que eu levantei, a imprensa patafufa (quatro rádios, dois jornais e uma televisão) comeu enorme mosca, ignorando o tema.  Mas agora vai, com certeza, anunciar o fato consumado).

criado por luizvianadavid    17:23 — Arquivado em: Sem categoria

29/9/10

Repique

Este artigo foi publicado originalmente em 28-08-2010. Atendendo a pedidos de inúmeros leitores que estão tendo dificuldade em acessá-lo, resolvemos reeditá-lo, na íntegra, com os  comentários recebidos .

Há oito anos

Foi num sábado de agosto como este, que há oito anos aconteceu uma das grandes manifestações políticas do Pará de Minas, a famosa passeata que foi batizada pelos seus organizadores de “Caminhada pela paz e contra a construção do cadeião”. Mais de cinco mil pessoas participaram, 90% delas  enganadas pela mais sórdida e terrivel campanha que um político para(min)ense já sofreu. Foram no mínimo sessenta dias de intenso matraquear através da imprensa, de carros de som, de contra-informação que culminaram com a passeata.. O movimento apesar de ser apresentado como contrário a construção da penitenciária de Pará de Minas, era mesmo um movimento político/eleitoral que buscava impedir a reeleição do deputado Antônio Júlio, na época o Presidente da Assembléia Legislativa. Os adversários de AJ no Pará não se conformavam com o fato dele estar ocupando o segundo cargo político mais importante de Minas e queriam derrubá-lo a todo custo. Á frente de tudo estava o prefeito Inácio Franco, que do trono municipal dava as ordens do que devia ser feito.

O canal de televisão local, TVI, controlado pela familia do prefeito, transformou-se no principal divulgador do movimento, atropelando e desrespeitando todos os limites impostos pela legislação, não apenas a Lei eleitoral mas também e principalmente a Lei de Imprensa. O movimento precisava de um rosto e este foi logo providenciado: o do ex-vereador Eugênio Mansur, que após zanzar por quase todos os partidos  e de ter aderido a todos os líderes  da cidade em 14 anos de carreira política, se dispôs a fazer o papel de mamulengo, de autêntico boneco a serviço do prefeito Inácio.  Aceitou ele a missão de candidatar-se a deputado estadual, não com a intenção de eleger-se, pois  ele (e todos os demais) sabia que era mais fácil um boi voar do que ele se eleger. Mas Mansur topou assim mesmo, enfrentou nas urnas o seu maior benfeitor, pois Antonio Júlio foi o homem que lhe abriu as portas para a política e foi decisivo na sua primeira eleição para vereador e depois na  eleição dele  para a Presidencia da Câmara de vereadores, além de ter no plano pessoal conseguido-lhe um bom emprego público  em dificil momento de sua vida.  Mesmo assim Eugênio Mansur aceitou bater chapa contra seu antigo protetor. Nas urnas patafufenses até foi que bem, ganhando com folga do antigo chefe, mas a votação insuficiente a nivel estadual não deu para levá-lo a conquistar uma cadeira na Assembléia. Terminou numa distante suplencia em seu partido. E acabou entrando para a crônica política do Pará como Brutus entrou  na história de Roma.  César,  quero dizer, Antônio Júlio, foi reeleito e neste ano de 2010 disputa seu sexto mandato de deputado.

Outro dia, revendo o filme daquele grande comicio móvel em que se transformou  a passeata, pude constatar em como é verdadeiro o ditado que diz  ” não há nada como um dia após o outro”. A começar pelos organizadores do movimento, radicais opositores da construção da penitenciária que eles batizaram pejorativamente de cadeião. Vendo passar a multidão na telinha,  identifiquei muitos rostos de pessoas bradando as palavras de ordem emanadas de um caminhão de som, vários deles vieram depois, paradoxalmente, a ocupar cargos até de direção na penitenciária; outros, que tiveram a coragem e honradez de rever seus conceitos sobre o tema, são atualmente defensores da unidade prisional. E o prefeito Inácio Franco que  fez tudo  que estava ao seu alcance para impedir que a penitenciária  fosse  construida, outro dia mesmo esteve lá, agora como deputado,  por ocasião de um evento quando a COPASA entregou a obra de captação de esgotos da unidade prisional. Estava acompanhado de Brutus, ou melhor do agora vice-prefeito  Eugênio Mansur.  A parceria segue rendendo.

Alguém disse antes e o ex-presidente F. Collor popularizou outro ditado: “o tempo é o senhor da razão”. Sete anos depois o quadro inverteu. A maioria dos manifestantes hoje reconhece o quanto foi manipulada pela midia comprada e pelos políticos interesseiros e influenciada por padres católicos  e pastores de diversas denominações. A penitenciária que recebeu o nome do ex-governador Pio Canedo, cumpre perfeitamente o papel para o qual foi projetada e resolveu em grande parte o problema da segurança pública da região. Nenhum dos maus augúrios anunciados pelas cassandras daquela época se concretizou: em sete anos nenhuma favela surgiu em suas imediações; nenhuma fuga foi registrada;  nenhuma rebelião de presos aconteceu; não se tem noticia de familia   de preso que tenha se mudado para o Pará;  a penitenciária está com sua lotação controlada.   Sete anos depois do massacre a que foi submetido, o deputado Antonio Júlio em suas andanças por todo o estado de Minas, tem ouvido como principal reivindicação do povo e autoridades a construção de penitenciárias como a Pio Canedo. Delegações formadas por políticos, pessoas do povo, magistrados, promotores de justiça, , têm visitado a PPC para conhecer o sistema ali implantado, que fez dela uma referencia nacional.

O mais comovente disto tudo é que o deputado AJ não passa um dia em Pará de Minas sem que pelo menos três ou quatro pessoas, às vezes mais, gente do povo, pessoas simples; ou mesmo empresários poderosos e profissionais liberais conceituados se aproximem dele, muitos até  constrangidos,  para pedir desculpas pela posição tomada em 2002. Antonio Júlio que nunca foi de perseguir ninguém, nem de fazer jogo sujo na política,  desculpa a todos e segue em frente sem olhar para trás. Aquele embate do inicio da década foi o mais dificil que enfrentou em sua carreira e considera que só saiu vitorioso porque nunca mentiu para seus conterrâneos sobre o que de fato estava propondo na época.  Ele apenas explica a cada um que tendo nascido, sido criado  e morar sempre na cidade, jamais iria defender uma causa que prejudicasse Pará de Minas e seu povo. “Eu amo esta terra” é como ele sempre se manifesta.

Dedico este artigo ao padre Geraldo Gabriel de Bessa, diretor da Rádio Santa Cruz AM, único sacerdote católico de Pará de Minas a defender na época a construção da penitenciária. Ao contrário dos outros, ele sempre ia à velha cadeia para dar assistencia espiritual aos presos naquela verdadeira “sucursal do inferno”. Padre Gabriel tinha consciencia da extensão do problema e não se deixou levar pelos profetas do apocalipse.

Por questão de justiça devo mencionar os nomes do Juiz de Direito Dr. Ricardo Sávio de Oliveira e do delegado Dr. José Nonato da  Silva, cujos apoios ao deputado Antonio Júlio e à causa da PPC foram decisivos naquele embate.

criado por luizvianadavid    9:51 — Arquivado em: Sem categoriaEditar

3 Comentários »

  1. Comentário por Gustavo Laine — 5 05UTC setembro 05UTC 2010 @ 10:09 |EditarNão que eu seja favorável ao Inácio Franco e seus partidários, mas dizer que “Antonio Júlio nunca foi de perseguir ninguém, nem de fazer jogo sujo na política” aí já é muito. Não entendo o mote da postagem. Dois motivos: 1) O que a Rádio Espacial FM faz não é perseguição? 2) O modelo prisional é o mais efetivo?
    São questões interessantes, que infelizmente não encontram espaço em uma cidade linda (mas conservadora) para serem debatidas de forma séria. A política em Pará de Minas foi reduzida, melancolicamente, a um jogo entre torcidas.

    [Reply]

  2. Comentário por Regina Marinho — 27 27UTC setembro 27UTC 2010 @ 18:56 |EditarOi Luiz! Pelo seu texto, dá pra perceber o quanto vc está envolvido com a política partidária de nossa cidade. De minha parte, afirmo-lhe que Pará de Minas não tem, na atualidade, um político de que eu me orgulhe. Concordo com o Gustavo Laine, quando diz que “a política em Pará de Minas foi reduzida, melancolicamente, a um jogo entre torcidas”. Quem perde com isso somos nós, paraenses. Quanto à criação do cadeião, fui umas das opositoras, porque sou adepta do método APAC - que conheço e admiro - , de baixíssima reincidência. São várias APACs espalhadas por toda Minas Gerais e não entendi porque o senhor AJ não apoiou a criação de um Centro de Reintegração Social em Pará de Minas. Na minha opinião, teríamos dado uma grande contribuição social e humana aos condenados da nossa região. Não acredito que o sistema penitenciário seja eficaz na recuperação dos condenados. Infelizmente, 8 anos ainda é muito pouco para se avaliar a eficácia, pois o fato de não haver rebelião não significa muita coisa. Ab, Regina.

    [Reply]

  3. Comentário por Lu Pereira — 29 29UTC setembro 29UTC 2010 @ 11:40 |EditarCaro Luiz,

    Sobre a questão política de Pará de Minas, considero que cada um fez sua parte pela cidade. Uns fizeram muito mais e outros não deixaram fazer. A política sempre divide torcidas! Isso é no mundo todo! Agora, sobre a Penitenciária Pio Canedo, quem a critica, deveria ir lá visitar o trabalho de reintegração social ali realizado. Lá, os detentos têm escola (muitos detentos já formaram), psicólogos, médicos, dentistas, alimentação saudável, religião, fé, trabalho, cultura (o Festival de Música de lá é sucesso todos os anos). Hoje, a Pio Canedo é considerada modelo. E essa foi a proposta do deputado AJ. Se isso não foi ressocializar pessoas, não sei o que é. Já em Itaúna, onde a APAC atua com mais força, o sistema prisional de lá convidou a diretora da Pio Canedo para “recuperar” a situação no município vizinho! Ai, façam suas conclusões. Na minha conclusão, os dois sistemas são válidos, desde que tenham seus objetivos cumpridos! Em Pará de Minas, o objetivo da Peniteciária Pio Canedo está sendo concretizado. Basta fazer uma visita, ou mesmo observar as reportagens pela imprensa.

    Com o meu abraço,

criado por luizvianadavid    19:53 — Arquivado em: Sem categoria

A frase

“Você foi ministra do governo Lula durante sete anos. Agora vem falar mal do governo. Você não aprendeu foi a pedir demissão”. (Plinio de Arruda Sampaio para Marina Silva, no debate da Record)

criado por luizvianadavid    7:02 — Arquivado em: Sem categoria

Vox Populi confirma vitória de Dilma no 1º Turno

Tracking Vox/Band/iG: Dilma tem 55% dos votos válidos

A cinco dias da eleição, petista tem cinco pontos a mais do que precisaria para vencer no primeiro turno

iG São Paulo | 28/09/2010 17:21

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, aparece, pelo terceiro dia consecutivo, com 49% das intenções de voto no tracking Vox Populi/Band/iG publicado nesta terça-feira. A cinco dias da eleição, Dilma tem pouco mais de 55% dos votos válidos, cinco pontos além do que precisaria para vencer no primeiro turno.

Para encerrar a disputa logo na primeira etapa de votação, Dilma precisaria ter a maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, 50% mais um. Na conta, são desconsiderados os votos brancos e nulos.

O atual cenário dá a Dilma uma vantagem de 10 pontos sobre a soma das intenções de voto contabilizadas por seus adversários. No tracking, José Serra (PSDB) oscilou um ponto para cima e agora tem 25%. Já a presidenciável do PV, Marina Silva, que um dia antes contava com 13%, agora soma 12% - o que interrompe uma sequência de três dias consecutivos de crescimento. Outros candidatos obtiveram 2%. Brancos e nulos somaram 4% e indecisos 8%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Apoiada pela alta popularidade do presidente Lula na região, Dilma tem o melhor desempenho entre eleitores do Nordeste: 65%. Na região, no entanto, a ex-ministra da Casa Civil já contou com até 73% das preferências. Na mesma região, Serra teria hoje 15% dos votos, de acordo com a projeção, e Marina, 7%.

Dilma ainda lidera em todas as regiões, mas encontra seu pior cenário no Sudeste, onde ela conta com 42% das intenções de voto – contra 27% de Serra e 16% de Marina. Já o candidato tucano tem mais votos no Sul (34%), contra 45% de Dilma no local.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, a petista aparece à frente, com 43% das citações (um ponto a mais que na pesquisa anterior); Serra tem 22% e Marina, 9%.  O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente.

criado por luizvianadavid    6:54 — Arquivado em: Sem categoria

28/9/10

De olhos bem abertos

Um horror o que a tigrada esta fazendo com a candidata Dilma, portanto rapaziada, o melhor é ficarmos todos atentos.  Repassem a lista  a ajudemos a enterrar as pretensões do PIG *.

* PIG = Partido da Imprensa Golpista

Para facilitar a divulgação nesta última semana de campanha, fiz uma compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão. Espalhem, é importante:

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura: http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família: http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso: http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos: http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata: http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem: http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p

(Esta lista foi compilada pelo Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada )

criado por luizvianadavid    15:35 — Arquivado em: Sem categoria

27/9/10

A reta final

Transcrito do blog 


26 de setembro de 2010 às 18:03

Marcos Coimbra: O que pode acontecer de “última hora”?

A última hora

por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense, via Vermelho

Neste domingo, a apenas uma semana da eleição presidencial, temos uma parte menor do sistema político, uma parte importante (mas minoritária) da sociedade e a maioria da “grande imprensa” em torcida animada para que a “última hora” faça com que os prognósticos a respeito de seu resultado não se confirmem.

É natural que todos os candidatos, salvo Dilma, queiram que alguma reviravolta aconteça. Os três partidos que dão apoio a Serra, o PV de Marina Silva, os pequenos partidos de esquerda, todos torcem pelo “fato novo”, a “bala de prata”, algo que a golpeie. Do outro lado, a ampla coligação que Lula montou para sustentar sua candidata (e que formará, ao que tudo indica, a maioria do próximo Congresso) espera que nada altere o quadro.

Hoje, Dilma lidera em todas as regiões do país, jogando por terra as análises que imaginavam que as eleições consagrariam um fosso entre o Brasil “moderno” e o “atrasado”. Era o que supunham aqueles que leram, sem maior profundidade, as pesquisas, e acreditavam que Serra sairia vitorioso no Sul e no Sudeste, ficando com Dilma o voto do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. Não é isso que estamos vendo.

Ela deve vencer em todos os estados, em alguns com três vezes mais votos que a soma dos adversários. Vence na cidade de São Paulo, na sua região metropolitana e no interior do estado. Lidera o voto das capitais, das cidades médias e das pequenas. É a preferida dos eleitores que residem em áreas rurais.

As pesquisas dão a Dilma vantagem em todos os segmentos socioeconômicos relevantes. É a preferida de mulheres e homens (sepultando bobagens como as que ouvimos sobre as dificuldades que teria para conquistar o voto feminino), de jovens e velhos, de negros e brancos. Está na frente entre católicos, evangélicos, espíritas e praticantes de religiões afro-brasileiras.

Vence entre pobres, na classe média e entre os ricos (embora fique atrás de Serra entre os muito ricos). Lidera entre beneficiários do Bolsa Família e entre quem não recebe qualquer benefício do governo. Analfabetos e pessoas que estudaram, do primário à universidade, votam majoritariamente nela.

É claro que sua candidatura não é uma unanimidade. Existe uma parcela da sociedade que não gosta dela e de Lula, que nunca votou e que nunca votará em alguém do PT. São pessoas que até toleram o presidente, que podem achar que é esperto e espirituoso, que conseguem admirar aspectos de seu governo. Mas que querem que Dilma perca.

Se, então, Dilma reúne ampla maioria no eleitorado e apoios majoritários no sistema político, o que seria a “última hora”? O que falta acontecer, de hoje a domingo?

Formular a pergunta equivale a considerar que o eleitorado ainda não sabe o que vai fazer, que aguarda a véspera para se decidir. Que “tudo pode mudar”.

É curioso, mas quem mais acredita que os outros são volúveis são os mais cheios de certezas, os mais orgulhosos de suas convicções. Mas acham que o cidadão comum (o “povão”) é diferente, que é incapaz de chegar com calma a uma decisão pensada e madura.

É fato que sempre existe uma parcela do eleitorado que permanece indecisa até o final. Já vimos, em eleições anteriores, que ela pode oscilar, saindo de uma candidatura e indo para outras. Conforme o caso, sua movimentação pode provocar resultados inesperados, como ocorreu com o segundo turno em 2006.

Mas aquelas eleições também mostram como acontecem esses fenômenos de “última hora”. Nelas, a única coisa que um quase uníssono da “grande imprensa” contra a candidatura Lula conseguiu fazer foi assustar os eleitores mais frágeis, com baixa informação e baixo interesse por política. Os dados indicam que os eleitores mais informados e com alto e médio interesse em nada foram afetados pela artilharia da mídia (assim como os sem nenhum, que nem ficaram sabendo que havia “aloprados”).

Ou seja: aquela gritaria só fez com que as pessoas mais inseguras a respeito de suas escolhas ficassem confusas, ainda que apenas por alguns dias. Mal começou a campanha do segundo turno, Lula reassumiu as rédeas da eleição e avançou sem problemas até a consagração no final de outubro. É como o título daquela comédia: “Muito barulho por nada”.

criado por luizvianadavid    7:13 — Arquivado em: Sem categoria
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